INICIATIVAS COLETIVAS de Artistas: Reverberam!

No Brasil, estamos a uma década do que considero um mo(vi)mento cultural, ‘as iniciativas coletivas de artistas’, hoje. 

São grupos, aglutinações, parcerias, encontros, pactos… os coletivos na busca de processos de trabalho compartilhado; modos de organização diferenciados em relação aos conhecidos piramidais; espaços autogeridos; a construção discursiva e crítica que se estabelece tanto quanto a prática artística; a consciência da ativação dos contextos específicos por suas atuações; a critica institucional; a busca por sustentabilidade; o pensamento econômico e o aprendizado da proposição e da avaliação.  

Compreendendo a arte como o campo mais livre da cultura, estabelece-se um alargamento do foco na produção, que antes parecia estar apenas no produto final, agora, também compreende, conjuntamente com os integrantes do contexto, a responsabilidade por seus efeitos, tornando os processos coletivos um eixo comum a essas iniciativas.  

Os processos coletivos, que se dão de vários modos, como uma valorização da sociabilização humana e ambiental, dos meios de compartilhamento e dos modos cognitivos (experimentar-aprender-imaginar-inventar-projetar-construir), se intensificam nos processos de troca concentrada seja interna a um núcleo de um coletivo ou em um processo aberto de experimentação, tornam-se então e também, estruturador dos projetos artísticos. 

Esteticamente há o lúdico, o festivo e o jogo como proposta relacional. Também, passando pelo manifesto irônico, crítico e político, de reflexão existencialista da sociedade. Poéticas que por vezes desembocando em um tipo próprio de surrealismo.  Há grande habilidade na comunicação midiática, das artes gráficas e seus suportes informacionais.

A fotografia, o vídeo e os impressos são amplamente utilizados, seja como suporte multiplicador do projeto ou como registro histórico para difusão do acontecimento.  

A criação de ícones baseada em mapas, sinalizações, instruções e jogos são fartos elementos utilizados e retornados ao cotidiano, para a ativação descondicionante. Propostas como estás podem ser reconhecidas nas iniciativas do GIA ou do EIA, com suas ações e vivências imersivas de agregação. 

As linguagens tende a se misturarem e as conservadoras fronteiras do conhecimento academicamente instituídos já não dão conta, em seus termos ou normas de produção, das interlocuções e possibilidades de ativação cognitiva que estão surgindo. 

Em uma espécie de busca da plenitude da Arte, com uma linguagem sem fronteiras, que desloca padrões e estabelece diálogos entre as artes plásticas, a dança, a musica, a literatura, o cinema, o teatro, é o que nos apresentam o Grupo UM do RJ com suas performances opticas-sonoras-ambientais ou o Coletivo Mergulho com suas experimentações poéticas.  

Mesmo compreendendo o campo de atuação estético-poético da arte, as iniciativas coletivas de artistas, que atuam nas diversas áreas para realizar sua produção, buscam ser propositivos nas relações sociais e ambientais. Isso também os leva a estabelecer novas dinâmicas relacionais, seja de suas produções, ou de suas idéias, frente as instituições e o estado. 

Tudo está em transformação e entre aprender e saber, a experimentação. 

Flavia Vivacqua

Setembro de 2007

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